A 2.ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus condenou, na madrugada desta segunda-feira (1.º de junho), os réus envolvidos no brutal assassinato de Débora da Silva Alves, de 18 anos, que estava grávida de oito meses. O crime, que chocou o Amazonas em agosto de 2023, teve desfecho após cinco dias de julgamento no Fórum de Justiça Ministro Henoch Reis.
O principal acusado e mentor do crime, Gil Romero Machado Batista, recebeu a pena de 63 anos, 7 meses e 19 dias de prisão em regime fechado. O Conselho de Sentença acolheu todas as acusações do Ministério Público do Amazonas (MPAM), que incluíram homicídio qualificado, feminicídio, aborto provocado por terceiro e ocultação de cadáver. Por outro lado, o corréu José Nílson Azevedo da Silva acabou condenado a 17 anos e 8 meses de reclusão. No caso dele, os jurados afastaram o feminicídio e duas qualificadoras, aplicando a pena por homicídio qualificado por motivo torpe.
Dinâmica do Crime e Bastidores Ocultos
O veredito encerra um capítulo doloroso para a família de Débora, que mobilizou a opinião pública de Manaus desde o desaparecimento da jovem em julho de 2023. Segundo a denúncia dos promotores Timóteo Ágabo Pacheco de Almeida e André Epifânio Martins, Gil Romero mantinha um relacionamento extraconjugal com a vítima. Ele planejou o assassinato para esconder a relação e evitar as consequências da gestação, já que se recusava a assumir a paternidade.
Para atrair a jovem, Gil Romero prometeu entregar dinheiro para a compra do berço da criança. No entanto, os criminosos asfixiaram Débora em uma usina termoelétrica. Na tentativa de ocultar as provas, um dos condenados retornou ao local, retirou o feto do ventre da vítima e o descartou em um rio, além de atear fogo ao cadáver da jovem. O corpo de Débora foi encontrado no dia 3 de agosto de 2023, em uma área de mata no bairro Mauazinho, na Zona Leste de Manaus.
Após o crime, Gil Romero fugiu para o município de Curuá, no Pará, onde uma operação integrada das polícias civis dos dois estados o prendeu no dia 8 de agosto de 2023. José Nílson também acabou detido por ajudar na execução do plano.
Desfecho Jurídico e Próximos Passos
O julgamento começou na manhã do dia 27 de maio sob a presidência do juiz titular Fábio Alfaia. Devido à alta complexidade e ao extenso número de depoimentos, os trabalhos se estenderam por madrugadas seguidas. A acusação e as defesas técnicas travaram debates intensos até as primeiras horas de hoje.
Na sentença, o magistrado manteve a prisão preventiva de ambos os réus para o início e imediato cumprimento provisório da pena em regime fechado. Como a decisão ocorreu em primeira instância, os advogados de defesa ainda podem recorrer ao Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM). Contudo, a punição severa sinaliza uma resposta contundente do Judiciário frente ao clamor público e à gravidade da violência contra a mulher na região.










