MANAUS — A recente filiação do deputado federal Amom Mandel ao Republicanos continua gerando fortes tremores nos bastidores políticos do Amazonas. Incomodado com as análises que apontam sua votação como um passaporte para a reeleição de Silas Câmara, Amom reagiu com crueza e rebateu as projeções com ataques diretos.
“Sobre essa história que estão falando aí a respeito de eu ser supostamente aliado do Silas das Câmara, isso é mentira. Nós dois somos concorrentes ao mesmo cargo. Eu não sou cabo eleitoral de ninguém além de mim mesmo. Essa galera que é paga para me atacar vai ter que ser mais criativa se eles quiserem enganar as pessoas, né?”, disparou Amom Mandel.
Contudo, as declarações de independência de Amom colidem frontalmente com a realidade matemática da legislação eleitoral brasileira. Embora o deputado tente se posicionar como um adversário interno na disputa pelas urnas, o sistema proporcional transforma o seu desempenho em um pilar de sustentação para o próprio grupo político que ele afirma combater.
Para comprovar esse cenário, os dados mais recentes da pesquisa IPEN/G6 mostram que o Republicanos projeta a conquista de duas cadeiras no parlamento federal. Amom lidera a nominata com expressivos 16% das intenções de voto, enquanto Silas Câmara aparece em segundo lugar, com 4,3%. O pragmatismo das urnas revela que a votação massiva de Amom eleva o quociente partidário da sigla, garantindo o segundo mandato que, hoje, pertence a Silas.
Portanto, o argumento de Amom Mandel de que atua de forma isolada ignora o funcionamento do cálculo das sobras e das vagas partidárias. Mesmo que o parlamentar adote uma postura de confronto e busque se distanciar da imagem tradicional de Silas Câmara, o voto depositado no número de Amom fortalece a legenda como um todo. Consequentemente, a estratégia de isolamento discursivo esbarra na engrenagem eleitoral que une inevitavelmente o destino dos dois candidatos.










